Nos últimos meses, o clima era de silêncio, pouca interatividade e muita pressão no vestiário do Beira-Rio. O quadro era visto desde a reta final da era Roger Machado até a demissão de Ramón e Emiliano Díaz, no sábado (29). Desde o domingo (30), porém, o cenário é outro. O Lance! descreve os bastidores dos dois primeiros dias de Abel Braga no Internacional e como a chegada do técnico distensionou a relação até entre os grupos que não vinham se falando.
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Os Díaz foram demitidos na tarde de sábado e Abelão foi anunciado horas depois. O técnico, que veio sem remuneração, chegou a Porto Alegre na manhã do domingo e, depois do almoço, foi apresentado ao elenco.
As primeiras 24 horas da oitava passagem de Abel Braga pelo Colorado já começaram a surtir efeito no vestiário alvirrubro. Ídolo da torcida desde a conquista da Libertadores e do Mundial de clubes em 2026, Abelão aceitou o desafio de tentar remobilizar a equipe para as duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, com a difícil tarefa de tirar o time do Z4.
E sua chegada ao CT Parque Gigante foi como um ciclone com efeito contrário. Praticamente “limpou o quadro de devastação e desânimo" que era visto, principalmente depois da goleada de 5 a 1 para o Vasco, disse uma fonte. Após o contato inicial, ocorreram muitas conversas, coletivas e individuais, com direito à mea-culpa por parte dos atletas.
Pelo que foi apurado pelo Lance!, não foi apenas o jeito paizão, entre a bronca e o carinho, que teve efeito no grupo. A recepção da torcida ao treinador no aeroporto, e na entrada do CT e, principalmente, a reação nas redes sociais, provocaram impacto nos jogadores. Pessoas ligadas ao vestiário contaram que a confiança do grupo parece ter sido retomada.
Ao ser apresentado ao grupo, Abel tentou aliviar o clima:
– Vocês devem estar pensando o que o maluco está fazendo aqui nessa situação, né? É, eu sou maluco. Mas eu acredito que podemos salvar o Inter. Eu e vocês.
E esse foi o tom. Sempre no “eu e vocês”, colocando o grupo e sua enxuta comissão como participantes da virada. Estão com Abel o professor Elio Carravetta e o preparador físico Diego Pereira – o auxiliar técnico Leomir Souza, homem de confiança de Abelão, só se reuniu como grupo em São Paulo, na segunda (1º).
O treinador falou e fez perguntas, coletivas e individuais. Também provocou os que estavam mais sérios. Ele “abraçou o grupo”, foi uma expressão ouvida. Também fez questão de sensibilizar o elenco da capacidade de cada um. Assim como pediu dedicação máxima nos confrontos diante de São Paulo e Bragantino. Acabou “abraçado pelos jogadores”, reforçou a mesma fonte.
Em resposta, o elenco, dos líderes aos jogadores mais jovens, vindos da base, reconheceu sua parte de responsabilidade nos resultados negativos recentes. O discurso dos atletas para a nova comissão técnica foi de que eles mesmos vão conseguir tirar o Inter da situação. Com a participação do paizão Abel, além de Carravetta, Pereira e Leomir.
Abel Braga comandou dois treinos e conviveu pouco tempo com o atual elenco do Inter antes da primeira viagem. Desde a noite de segunda-feira (2), já em Guarulhos, na concentração, planeja ampliar as conversas e o processo de reintegração do vestiário para conseguir a reação desejada. Ajustes táticos foram trabalhados domingo e segunda.
O time deve retomar o sistema com três zagueiros e três volantes. A ideia é não perder primeiro, para depois buscar uma chance de vencer. A confirmação da escalação ocorre em treino fechado no CT do Corinthians nesta terça (2). A viagem para Santos ocorre somente na manhã da quarta (3), dia da partida contra o São Paulo, na Vila Belmiro, marcada para 20h.
2025-12-02T16:02:43Z